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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Try not to sing out of key


[para ler ao som de River, da Joni Mitchell,
na voz da Sarah MacLachlan]


Voltei a rever os episódios de Anos Incríveis. Não sei se poderia dizer rever, já que tenho a impressão de que perdi vários dentre todas as vezes que acompanhei a série na Cultura. A primeira vez que vi foi nos anos 1990, creio que a primeira vez que foi apresentada no Brasil. Depois peguei algumas reprises até chegar em 2005, quando a Cultura voltou a exibir. Na época, inclusive, fiz um post no meu primeiro blog, comparando o personagem principal comigo, e algumas similaridades que temos, como por exemplo a estrutura familiar, que é a mesma.

O que mais tem me impressionado nessa revisão, além de, claro, a série ainda guardar semelhanças com minha vida - talvez o contrário, quem sabe - é o fato de como um programa feito há tanto tempo, mais de vinte anos, ainda consegue me prender com uma facilidade muito maior do que a última novela da Gloria Perez, por exemplo, da qual tenho passado longe, principalmente porque, depois de ter convidido com indianos "legítimos", tudo me pareça muito artificial.

E isso não devia me causar espanto. Se eu pegar meus cds, e separá-los por ano de lançamento, o que vai predominar ali são as décadas de 1960, 1970, talvez alguma coisa dos 1980. Filmes? Sou daquele que quanto mais mofada a fita melhor. Uma vez cheguei a comentar que o Oscar para mim não era mais o mesmo, que a premiação tinha perdido o encanto, que o legal era o evento de uns quarenta anos atrás. Na verdade eu queria dizer que os filmes de hoje não me soavam tão interessantes quanto os de tempos atrás. Quem quer ser um milionário eu só vi de rabo de olho porque estava sendo exibido num vôo de dez horas que peguei meses atrás, e eu não tive outra saída. Mas confesso que cochilei em umas partes porque, vou ser muito franco, Bollywood não é minha praia. E aqui ainda caímos naquela idéia do fake ali de cima, um tanto quando mais branda, é verdade. E mesmo quando é um lançamento, me atrai muito mais um novo produto de alguém que já tem anos de estrada, do que de uma banda em começo de carreira, por exemplo. Já estou acompanhando o burburinho dos novos álbuns da Maria Bethânia, que deve lançar dois cds ainda esse ano, e outro dia me peguei vasculhando a internet atrás de um novo filme do Martin Scorsese.

No final de um dos episódios de Anos Incríveis, que acabei de rever, numa hora que começa a tocar River, com a Joni Mitchell, passei a me imaginar daqui uns vinte, trinta anos, movimento inverso que o personagem da série faz. Tentei traçar uma suposta vida, emprego, uma casa só minha, família, talvez um gato... mas não consegui. Muito provavelmente porque, de uns tempos para cá, tenho achado melhor ir apenas acompanhando os fatos, tomando as decisões de leve, quando o momento de escolher já está aqui, do meu lado; do que ficar imaginando "como será o amanhã". Deixo os dois olhos no presente e dou leves piscadelas no passado. Nem que seja para buscar uma música para servir de trilha para um post.

5 comentários:

ThaisM disse...

sabe que hj mesmo estava comentando com um amigo: eu so ouço jazz, música clássica e bom mpb qdo estou de saco cheio ou na bad. O que me assusta e que tenho ouvido essas músicas com mais frequencia que antigamente. Seria a casmurrice chegando?! Não sei. Acho muito natural isso essa apatia quanto ao grande zeigeist, sabe. deve ser assim mesmo. Coisa de gente velha como a gente, ahahaha.

Ah! Tbm convivi com indianos legítimos e me recuso a assistir aquela novela ridículo que quis transferir a burguesia carioca com uns toques de seda e especiarias. Ô coisa nojenta!

ThaisM disse...

só mais uma coisa: river da mitchell fode! "Oh I wish I had a river. I could skate away on." - coincidentemente ouço essa música desde ontem. já viu, né?!

Flavimar disse...

Thaís, mas o que mais me irrita nas novelas da Gloria Perez, especialmente depois que ela resolveu adotar essa linha de conectar o Brasil com algum país, é a facilidade com que o povo chega ao lugar. Eles acordam, dão a louca e falam: "vou para o Marrocos!", "acho que vou para a Índia!" e meia hora depois já chegaram lá. Ela não tem a menor preocupação com um público que talvez pudesse assistir às novelas e que sabe que existe toda uma burocracia para viagens internacionais, e que não é como pegar o ônibus no Jabaquara e descer para Santos no fim de semana.

ThaisM disse...

gente, e a preguiça idiomática?! claro, eu quero arrumar um marido rico indiano, basta ligar a internet e sair falando. Mui natural. humpf!
Fico pensando no Mel Gibson que se matou pra oferecer um filme em aramaico pra ser o mais fiel possível, e essa safada bota o mundo inteiro pra falar o bom e velho português.

Flavimar disse...

Isso quando eles não falam português com sotaque, né?