Este deve ser, o que? meu blog de número oito, ou nove. Teve aquele do weblogger que a internet comeu, mas que durou bons seis anos e amigos que estão por aqui até hoje; teve um de cinema aqui no blogspot, que durou dois meses e um Oscar, mas que me fez pensar em cinema de uma forma mais, digamos, acadêmica [jura!]; e teve o [o sorriso do] gato de alice, assim, tudo minúsculo, mas seguramente o blog mais maiúsculo que tive. Apesar da curta existência, praticamente um suspiro, foi o que me deu mais carinho manter e o único que não tenho a menor coragem de apagar - mas também ainda não fiz back-up, então se algum dia o blogspot explodir eu vou junto.
Como eu sou praticamente a Anne Frank quando ela se define como "um feixe de contradições", depois de falar que nunca mais teria um blog enquanto eu vivesse [/drama], cá estou de volta. Mas aí vocês se perguntam, "por que não voltar para o gato, já que você o adora?" Claro, seria lógico, mas Flavimar, como quem me conhece sabe, anda na direção contrária de qualquer coisa que recebe o adjetivo lógico. Se é que isso é mesmo um adjetivo.
Mas o motivo pelo qual criei um outro blog [o que não levou nem dois minutos, diga-se de passagem - e me fez ficar um pouco triste, porque quando comecei minhas postagens não tinha essa mordomia toda de web 2.0, então ou você aceitava o layout que o servidor te oferecia ou botava as patinhas no teclado e ia quebrar cabeça com código html, alguns os quais ainda me recordo] e não voltar com o antigo foi que, apesar de realmente amar o gato de alice, em toda sua simplicidade, quase um minimalismo, e os textos que postei lá, eu não me pertenço mais àquele blog. Não porque eu passei muito tempo sem utilizá-lo, mas porque o Flavimar que escreveu ali não é jamais o Flavimar que escreve este texto agora.
Mas aí claro que uma velhinha surda da última fileira vai levantar e gritar "ah, que bobabem... o Flavimar de agora também não é o mesmo do blog do weblogger." E claro que não é, até porque o Flavimar que começou o blog do weblogger não foi nunca o mesmo que decidiu encerrá-lo [com um post sobre o show da Maria Bethânia aqui em Belo Horizonte, em 2007]. Mas o começo de 2008, fase mais ativa do gato [sim, estou linkando o tempo] foi onde meu eu estava mais exato com aquilo que sei que sou e com aquilo que realmente quero que as pessoas vejam que sou. É complicado falar isso porque fica parecendo que hoje, julho de 2009, eu sou apenas um simulacro de qualquer coisa. O que não é verdade, mas também não deixa de ser mentira. É como se no primeiro semestre de 2008 eu realmente estivesse disposto a gritar "olha, mundo, esse sou eu, se não gostou o problema é seu, porque eu não tenho o menor interesse em mudar uma vírgula", e agora eu apenas sussurre "oi, prazer, meu nome é Flavimar", e deixe quem quiser me descobrir que abra o google e procure.
Esse Flavimar de 2008 deve ser, seguramente, um reflexo de 2007 do segundo semestre, mais exatamente. Na verdade não um reflexo, mas uma conseqüência de muita coisa que aconteceu naquela segunda parte do ano. Foi como se, depois de tudo, aquele período [monografia sobre um tema tirado da cartola e que eu penei para achar bibliografia; formatura; um momento "Alanis perde" - piada interna que acho que nem eu mesmo vou entender] tivesse acabado e eu, na esperança ou certeza de que a roda havia girado quase 180º, tivesse chegado no começo de 2008 e falado "então, oi, sou eu!?"... Porque é claro que depois dessa enxurrada de coisas acontecendo ao mesmo tempo, e eu sobrevivendo [ui!] a todas elas, a primeira sensação que se tem é de que você está preparadíssimo para ganhar a prova mais difícil de qualquer olimpíada [all around de ginástica perde]. O que, obviamente, não é verdade! E não é verdade porque, alô, né, ninguém nunca está preparado para nada não! Ninguém nunca está preparado para um novo emprego, para um emprego de anos, para um relacionamento começado no último fim de semana, para um casamento com trocentos anos de histórias... Tudo não passa de termos da nova dramática que a gente vai escrevendo todos os dias. "O enredo / a gente sempre sempre todo dia tece", não é mesmo, Elisa Lucinda?
Então voltar com um blog onde eu era o mais "eu" que já fui até hoje seria trair aquela figura de um ano atrás, tão cheia de planos, idéias, disciplinas isoladas em mestrados, "grito meu cu para qualquer coisa que eu desaprove mesmo", introduzindo um outro Flavimar [escrevi novo, mas troquei por outro porque vai que eu não sou novo coisa nenhuma, mas apenas uma edição remixed and revisited?], que não é nem melhor, nem pior que qualquer outro que já existiu. Obrigado, mas melhor não. Melhor não misturar os canais, juntar o joio com o trigo. E, além do mais, como eu mesmo já disse, não demora nada criar um blog hoje em dia. Claro, essa facilidade toda resultou em um esgotamento de títulos bacanas [sendo usados em blogs com uma postagem de quatro, cinco anos atrás], mas basta pensar um pouquinho que o título chega. Tudo novo, com a cara de sempre, e um dedinho de experiências a mais...

4 comentários:
seus texto miguxos e lésbicos do weblogger se parecem e tem pontos de contato com esse.
A única coisa que mudou é que vc sabe escrever melhor, mas confuso ainda está.
http://www.fulgas.blogspot.com um bom blog para ler tb :*
quanto mais mudas mais te tornas o mesmo...
bem vindo de volta etc etc!
escrever é um vício, não há como fugir para sempre.
felizmente, é um vício bom. =)
quanto a mudar ou não...bem...quem há de saber?
=********
Que nostálgico... assim o conheci... boa volta, adiante!
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